CARTA
ABERTA
AO PRESIDENTE LULA
SOBRE
A URGÊNCIA DE UM PROJETO EDUCACIONAL CONSISTENTE.
POR UMA ESCOLA PÚBLICA QUE FUNCIONE EM TURNOS DE
OITO HORAS POR DIA,
OFERECENDO BOA EDUCAÇÃO, BOA DIVERSÃO E BOA ALIMENTAÇÃO.
POR UMA ESCOLA QUE PROMOVA AO MÁXIMO A LEITURA DE ALTO NÍVEL,
E PROMOVA A INTELIGÊNCIA POR MEIO DE AÇÕES INTELIGENTES.
SÓ
EXISTE UMA ALTERNATIVA: APRENDER A PENSAR
É preciso que o Brasil aprenda a pensar, discutir e decidir
o que quer, com a máxima urgência. E em tempo integral,
ou quase integral. Oito anos passam voando e, se dermos bobeira, perderemos
o bonde, a esperança e o futuro. É preciso inundar o país
de bibliotecas boas, de livros bons, de literatura boa, de cultura questionadora,
de escolas decentes, funcionando o máximo de tempo possível.
(Que tal turnos de oito horas diárias,
com aula, recreação e alimentação?)
É preciso conscientizar professores, pais e alunos das escolas
públicas de que pensar é fundamental. O primeiro passo
é dado na escola. O segundo, em casa. O Governo sabe disso e
tem pressa. Mas ele sozinho não pode tudo. É preciso que
tenha parceiros fortes, eficientes e confiáveis, no Governo e
fora do Governo. Entre professores, escritores e editores. E entre empresários
corajosos e lúcidos.
PRIORIDADE
MÁXIMA PARA A EDUCAÇÃO EM
OITO HORAS DIÁRIAS
É fundamental zerar a fome. É fundamental cuidar da saúde
pública. É fundamental aprovar as reformas, todas as reformas.
É fundamental desativar os gatilhos da violência. É
fundamental cortar as raízes da corrupção. Denunciando,
julgando, punindo. A essa altura do segundo Governo Lula tudo continua
fundamental. E tudo é urgente, como tem sido urgente desde que
o Brasil é Brasil. Mas, acima de tudo, é fundamental mudar
a mentalidade da população, acostumada a ficar de bico
calado, culpando os políticos mas votando nos oportunistas de
sempre, sempre os mesmos picaretas, com sua lábia e sua cara-de-pau.
Votando neles mesmo na maior miséria, mesmo morrendo de fome
ou de doenças carenciais. Tudo porque falta educação,
cultura, conhecimento e capacidade para pensar, julgar e decidir.
DESATIVANDO
A ROTINA MENTAL
Mudar a mentalidade é destruir a rotina mental. É estimular
o pensamento criativo, inovador, questionador. Mas essa revolução
- a maior de todas - só se consegue com prioridade máxima
para a educação. Não será feita nos quadros
do PT, nos partidos aliados (recheados de picaretas e paus-mandados)
ou nos órgãos do Governo. Não será feita
nas universidades públicas ou privadas, nem na classe média
massacrada pelo consumo. Será uma revolução silenciosa,
gradual, firme, consistente, duradoura. Será uma revolução
de empresários, professores, pais e alunos, sobretudo nas escolas
de ensino fundamental, que deverão funcionar
em turnos de oito horas todos os dias.
Será sobretudo uma revolução infantil, a primeira
revolução verdadeira da história da humanidade,
feita por crianças espertas e conscientes. Piegas? Sentimental?
Pode ser. Mas nunca se fez uma revolução com adultos.
Todas as revoluções da História foram feitas por
crianças e adolescentes. Mesmo quando crianças de barbas
brancas. Mesmo quando adolescentes sexagenários.
Ou dobramos o tempo de permanência
das crianças na escola ou nenhuma mudança será
possível. Social, cultural ou política.
REVOLUÇÃO
NÃO É FIM, MAS COMEÇO
Toda revolução verdadeira só pode ser feita na
raiz, no cerne, no início, no desabrochar. Nas revoluções
verdadeiras não há pontes a queimar, nem retorno possível:
nada fica para trás, tudo está na frente, sempre na frente.
Juntos, professores e alunos levarão sua revolução
permanente para suas casas, suas famílias e seus amigos. Assim,
essa revolução será permanente e sem dono, porque
original, criativa, inaugural, funcionando em turnos de oito
horas por dia. Basta dar os instrumentos. Basta inundar
de livros e idéias as escolas, casas, bibliotecas e cidades.
Tudo é muito simples e complicado. Tudo é bastante fácil
e muito difícil. Mas é preciso vontade. Mas é preciso
querer. Mas é preciso decidir e colocar em prática.
Então
ficamos assim: vamos batalhar por escolas públicas funcionando
oito horas todos os dias, com recreação, estudo, leitura
e alimentação. Tudo com fartura. Inclusive com prêmios
de incentivo a alunos, pais e professores durante todo o ano letivo,
do primeiro ao último dia de aula. E salários dignos -
não essa miséria que se paga hoje - para os professores,
os profissionais mais preciosos do país, que merecem muito, mas
muito mais do que ganham.
Sabará, MG, janeiro de 2008, no sexto ano do Governo
Lula.
Com a esperança de quem começa e a firmeza de quem confia,
Sebastião
Nunes, sócio-cotista e gerente da Dubolsinho
Autor de 15 livros para adultos (prosa e poesia) e de nove livros para
jovens, da pré-escola à oitava série. Criador em
1980 das Edições Dubolso e atual administrador da Editora
Dubolsinho, empresa quixotesca e sonhadora
que reúne 40 cotistas, entre escritores, ilustradores e outros
amigos de livros,
fundada em 2000 e com 22 títulos lançados até agora.
Site: www.dubolsinho.com.br E-mail:
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